terça-feira, 12 de outubro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
E naquele último dia... Eles sequer mencionaram o de amanhã. Naquele dia eles apenas viveram, sentaram no balanço e sentiram o vento tocar seus rostos risonhos. O som de suas risadas se misturaram e formaram uma só música. Aqueles risos. Tentando esquecer a tempestade de ansiedade que flutuava ao redor deles. Mas nenhuma ansiedade o corriam. Não ali, naquele momento. Não era hora. Aquele era o dia de viver. Aquele era o dia de sorrir, ainda que por uma ultima vez. Não, não era a última vez. Sorriam. Quando o olhar dele tornou a olhá-la, ela desejou ser apenas o fim de um Domingo. Mas ela não era boba. Sabia que aqueles cinco dias demorariam muito mais a passar. E quando finalmente ele virou e ela o perdeu de vista, ela prometeu para si não deixar aquelas coisas que flutuavam afogá-la.
sábado, 9 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Era um rapaz de rosto rígido e expressões frias, não tinha compaixão muito menos amor por alguma coisa ou ser. Falava apenas palavras duras, que deixavam as pessoas atingidas raladas ao chão. Nada além da verdade, aquela que ninguém teve a coragem de falar, aquela que ninguém tem a coragem de dizer, dizer para si, sequer assumir para si, mas tudo o que ele fazia era o que eles faziam todos os dias, mas fingiam uns aos outros que a situação era revertida. A mentira se tornara a verdade deles. Quando ele se aproximava todos temiam. Era coragem e medo. O "sem coração", só que nenhum deles ali sabiam o que era um coração, apenas fingiam que sabiam. Ele falava mentiras, calúnias. Ele falava apenas a verdade. E aquilo doía em quem fosse a "vítima". Eles estremeciam quando aquele rapaz se aproximava, quando levantava voz, quando olhava na direção deles ou quando simplesmente ficava indiferente a qualquer coisa adiante. Ele era aquilo que eles não queriam ser. Ele era eles mesmos. Era o que eles sabiam dos mesmos que os deixavam com medo.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Fechei os olhos. Tornei a abri-los, não fez diferença. A escuridão se propagava extensa, em sua infinitude do nada. Não havia nada além do escuro. Não havia nada além. Um som agonizante cada vez mais alto no meio de todo aquele silêncio. Só havia o medo, que se espalhava por aquele quarto, se arrastava pelo chão, atingia as paredes, atingia os móveis, atingia, sobretudo, a mim em milésimos de segundo. As janelas permaneciam fechadas, mas o vento frio era atormentante. Fechei os olhos. Senti algo aproximar-se de mim, passar as mãos serenas sobre minha cabeça, colocar as meias em meus pés, cobrir-me com o cobertor e permanecer ao meu lado, silencioso. Senti uma segurança ressurgir, uma que eu pensei não existir. Voltei a abri-los, entretanto agora havia algo diferente, a luz atingira meus olhos, as cores se propagavam em degradê, o frio já não me atormentava. E lá estava, diante de mim, a me acariciar com suas mãos confortantes que me encorajavam. O medo já não me atingira com tamanha intensidade enquanto, deitada num abraço de paz, me entregava em seus braços de harmonia.
Agora uma pequena parte de mim é medo, e outra, muito maior, é amor.
Agora uma pequena parte de mim é medo, e outra, muito maior, é amor.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Ando distraída. Sou distraída. Ando olhando pro lado. Ando olhando as cores. Ando olhando os sorrisos, as emoções. Não. Não preciso andar. Estava sentada. Não é sempre que ele faz isso. Na verdade ele não faz isso. Sentou-se à mesa para o jantar. Ele adora a hora do jantar. Descansar. Ou tentar. Sentou e ligou a TV para ver o jornal, de praxe. Tinha seus olhos fixos nela, mas não prestava atenção no que passava. Estava em outro lugar. Tinha seus olhos cansados e sua cabeça parecia ter o dobro do peso de seu corpo. Ele sempre procura não demonstrar para nós os problemas que se passam, achando que nos engana. A mim não. Nunca vira aqueles olhos tão cansados. Não havia só cansaço. Havia decepção. Atingira seu clímax. Imaginava o que ele precisava. Abri a boca pra tentar falar alguma coisa. O clima era um tanto tenso. Só ouvia o som da televisão. Mas dentro de nós muitas vozes falavam. Gritavam. Algo quebrou o gelo. Ele falou. Falou da decepção, do que acontecera naquela tarde. Falou. Falou. Sua respiração era forte, profunda. Cada palavra que soltava, o peso de sua cabeça ia diminuindo. Logo o sentíamos leve. Ele precisava daquilo, mesmo que achasse que não. Falei algo. Dei-lhe um abraço, um abraço carregado de amor. Nunca mais havia visto aquele riso, além daquele sorriso amarelo que ele dava tentando nos tapear. Levantou-se e saiu da mesa com um sorriso, um sorriso carregado de prazer. Como uma pena. Sei que seu problema não tinha sumido, mas ele é forte, sempre foi, bastava-lhe uma forcinha para sentir-se melhor, ao menos um pouco melhor. E eu, eu sai com minhas luzes acesas. Radiava. Nunca o senti tão próximo de mim antes, até mesmo quando ele me enchia de cócegas e abraços, quando agüentava o meu peso na sua corcunda, ou quando sua corcunda podia aguentar algum peso. Não é sempre que ele faz isso, falar do que esta acontecendo. Não, ele não faz isso. Sinto-o muito próximo de mim agora. Espero todos os dias a hora do jantar.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Nunca haviam o visto tão agitado, mas aqueles ventos daquele tempo eram ventos pesados, carregados ainda com os rastros da chuva que se passara e não haviam se afastados por completo. Agora repete-se, nunca vi aquele catavento tão agitado, girando debaixo daquele sol, ventos quentes e leves, anuciando o bom tempo. Não pare de girar catavento. Não para de girar o catavento, cada vez mais veloz.
Eu sei do vento. Eu sei da cor do céu, das flores, das nuvens. Eu sei do tempo. Sempre catavento.
Eu sei do vento. Eu sei da cor do céu, das flores, das nuvens. Eu sei do tempo. Sempre catavento.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Ele olharia pra mim e me acharia doida. Não. Ele me acha doida, repete isso inúmeras vezes ao dia, fala com os olhos piscando e deixa a sinceridade escrita naquele olhar doce e sonhador, me fala que é bom ser doido, gosta disso. Seja verdade ou não, o fato é que é bobagem carregar esse medo de felicidade. Minha vó sempre diz que a gente vive a vida procurando-a, mas na verdade ela fica depositada em varias coisas enquanto a vive e esquecemos-nos de abrir os olhos e nos dar conta que estamos diante da felicidade. Meus olhos estão abertos, bem abertos, quase sem querer piscar pra não deixar de enxergar por qualquer segundo. Tenho completa noção e certeza do que sinto e agora. Duas estão predominantes. Medo. Felicidade. Separados, juntos. Medo da felicidade. Talvez. Mas eu tenho certeza, que completa contradição, não, não me direi por contraditória. Ele diria "Não se deve ter medo da felicidade!" com aquele lindo olharzinho. Chamaria-me de doida. E iria me sorrir, e brilhar. Gosto daquele olhar, gosto daquele sorriso, me faz feliz. Gosto de roubar aqueles sorrisos posso estar sendo modesta ao assumir que estou ficando craque em roubá-los. Como é bom tê-los para mim. Guardo meu egoísmo dentro da gaveta e digo é muito bom ver aquele sorriso se mostrar sincero a todos, talvez ninguém ainda o tenha descoberto e concorde, mas hei que descobrirão. Sim, é isso. Sou a colecionadora de sorrisos mais feliz que existe. Fecharei os olhos e lembrarei-me de todos esses sorrisos que ficam dentro de uma caixa num armariozinho meio escondido. Talvez quando os abra ele estará ali, na minha frente pronto para ser roubado. Eu como sempre farei o que faço melhor. Roubarei. Mais de vinte e sete, dos melhores. Ou talvez abra e olhe em volta e uma realidade bem diferente estará diante dos meus olhos, dessas que não posso prever agora. Só que em mim vai ficar guardado cada um deles, ainda que não possa mais roubá-los. Incerteza. É disso que temos certeza. Lá venho eu e minha mania de contradição. Mas certamente temos incerteza do que me restará ao abrir os olhos e abandonar as lembranças desse tempo. Do tempo em que eu era a colecionadora de sorriso mais feliz. Tenho dito. Não sei quanto à felicidade. Eu sei dos sorrisos, esses estarão sempre aqui ainda que não mais possa mais roubá-los, guardados em um lugar onde apenas eu poderei apreciar. E não me olhem como egoísta, apenas consegui colecioná-los. E assim andarei, roubando esses tais sorrisos enquanto eu posso, ainda que não para sempre.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
A gente sempre sonha. Deitados ali naquele canto só nos faz sonhar. Olhar aquelas luzes nos faz sonhar. A gente constrói mundos ali e brinca neles, sem parar. Fecha os olhos e imagina futuros longos. Bobos. Cada segundo de sonho é um dia e não perdemos nenhum deles, não acordamos naquela sala e voltamos a dormir, nós brincamos no balanço e sonhamos de olhos abertos, sem deixar-se perder nenhum segundo. Amanhã estaremos vivendo o que sonhamos naquele canto. Amanhã estaremos rindo, rindo à toa do balançar do balanço que estávamos ontem, nós nunca iremos levantar e deitar em um dia, iremos sempre nos balançar, sentir a brisa, olhar as luzes, falar do azul e rir, nossos risos nunca irão nos faltar, tamanho grande que mal cabe em outros mundos, mas no nosso, no nosso ele não faltará, não há de faltar, não deixarei se ausentar em nenhum tempo, em nenhum dia, em nenhum segundo.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Esboçou-me um sorriso, um sorriso torto no canto da boca, sequer deu um meio olhar sorridente. Ficava evidente o que se passava, mas ficar calada era a solução mais oportuna que me cabia, mas não o fiz. Falei, deixando-me escapulir meu coração, que saiu da boca e foi direto pro chão, pisado e esmagado sem piedade, sem uma nesga de piedade. E já chegava aquele meio sorriso torto com os dentes sem se mostrar, falando o que não saia de sua boca, mas parece que doía mais do que palavras, aquele sorriso irônico, fingido, falso. Ah por favor, não preciso disso, tenho dito. Por isso tenho meus medos tolos, sempre procurando medir as palavras terminando às vezes abolindo-as completamente, mas quando o faço sem cessar soa sem medidas.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Distante. Nunca estive tão distante, tava ali a todo tempo, sentada, aquelas luzes acesas que eu via sem enxergar, tentei falhamente não deixar transparecer a tempestade de informações, medos e anseios que se estabeleciam ali, naquele momento, eu cambaleava e minhas mãos estavam ociosas, sim elas estavam. Já me faltou unhas e sonos, ou sonhos. Perdi meu sono. Mas não, não é certo pensar assim, não é certo precipitar-se, nunca foi. Eu sempre dizia a minha mãe essas coisas, mas parece que agora estou experimentando, mas é bobagem, talvez seja. Assim seja. Nunca diga que é proibido caso contrario irão pregar-lhe uma peça e você pode se sair bem dessa, ou não. Engraçado. Não, não é muito engraçado, ou melhor, não tem nada de engraçado, talvez amanhã se torne, mas hoje não, não vamos rir agora será mentira, nunca gostei de falsos sorrisos, eu não preciso de falsos sorrisos, não ouse se aproximar com um deles, eu só preciso de... Hoje não, hoje são pensamentos que correm, rondam, tento afastá-los, mas sempre caio nos mesmos. Droga. Eu devia não pensar. Gosto da força sincera, conheço a força sincera, sei que ela esta aqui. Sinceridade, aceito-a com um belo sorriso SINCERO, evito viver nessas mentiras afogadas, ou melhor, recuso-me a aderi-las. Ah, somos mesmo muito tolos, não caio na armadilha do destino, não, hoje não. Fica pra amanhã, quando eu acordar.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Ele falava, falava, falava e ria, ria e falava sem parar como se todos os problemas fossem embora naquelas horas ou como quem procurava não lembrar daquilo tudo ao menos por um tempo, mas não podia se deixar enganar, tempo depois tudo voltava e ele sabia disso, era uma verdade e ele não procurou desviá-la, apenas sorriu e sorria um sorriso carregado de prazer, não sei se por falta de momentos como aquele, mas ele ria um riso intenso e eu sentia que tudo que ele queria estava ali, naquelas poucas horas antes que ele acordasse e encarasse a pilha de problemas que o esperava na sala ao lado, ele parecia não lembrar, mas lembrava em cada segundo de silencio porque aquilo tudo ele levava sempre consigo, embora tentasse não transparecer, aquele olhar não me engana, não nunca me enganou.
"A idade não é a realidade salva no mundo físico.
A essência de um ser humano resiste ao passar do tempo.
As nossas vidas são eternas, o que significa que os nossos espíritos continuam a ser tão jovens e vigorosos como quando éramos jovens. Pensa no amor como um estado de graça... não é um meio para nada, mas sim o alfa e o ômega.
Um fim em si mesmo."
Gabriel Garcia Marquez
A essência de um ser humano resiste ao passar do tempo.
As nossas vidas são eternas, o que significa que os nossos espíritos continuam a ser tão jovens e vigorosos como quando éramos jovens. Pensa no amor como um estado de graça... não é um meio para nada, mas sim o alfa e o ômega.
Um fim em si mesmo."
Gabriel Garcia Marquez
"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil;
Em que espelho ficou perdida minha face?"
Cecília Meireles
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil;
Em que espelho ficou perdida minha face?"
Cecília Meireles
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Achei um álbum muito antigo, encontrei nele algumas lembranças esquecidas. Havia fotografias bem velhas que transpareciam laços cortados pelo tempo ou desgastados. Eram fotografias de pessoas onde estavam quase apagadas. Lembrei-me de cada momento, de cada pessoa, de cada despedida, de cada esquecimento. Lembrei-me de alegrias que tive ao lado de cada um, vi como eles vão embora rapidamente e tendem a nunca mais voltar, grande parte não são mais os mesmos. Toda vez que vejo as imagens eles revivem em minhas memórias, podem ate terem ido embora, mas ainda estão aqui. Juntei todas elas e guardei bem o álbum, porque ali estão guardados pessoas que poderei não mais encontrar, momentos que jamais irão se igualar. Em meio a essas lembranças me dei conta de quantas pessoas já estiveram por aqui, algumas passaram anos ao meu lado construindo um castelo de areia, mas simplesmente se foram e o tempo cuidou de soprar cada grão de areia e levá-los para bem longe, houve aqueles que voltaram, mas o castelo já se fora ou quase por completo, uns poucos conseguiram reerguê-lo, mas os grãos nunca mais serão os mesmos.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Se eu pudesse ter tudo que eu desejo de uma só vez, eu não desejaria, tudo está sempre ligado aos novos objetivos a serem alcançados, desde as coisas menores aos grandes sonhos futuros, e eu vou querer sempre algo mais, e essa é uma das partes boas de ter nossos desejos, além de alcançá-los e desfrutá-los. Se eu pudesse ter tudo o que desejo agora, talvez eu não desejasse, nada mais me faltaria. Creio que as coisas devem ser da maneira como são, e que meus desejos devem ser alcançados um a um, ou quem sabe talvez não sejam alcançados. Ainda que um gênio aparecesse de uma garrafa e me concedesse um desejo, eu desejaria que as coisas continuassem iguais a como elas estão agora, como sempre estão, como não esteve anteontem, porque eu sei que cada coisa vai acontecer em seu devido tempo e que a graça de desejar é poder esperar para alcançá-la e alegrar-se da "vitória", enjoar ou não, e querer sempre um novo. Acho que a vida é mesma feita de desejos, se eles não existissem talvez não encontraríamos o seu sentido, acho que buscamos e achamos esse sentido todos os dias, nos nossos desejos e sonhos, que renovam-se a cada dia.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Ultimamente eu tenho pensado muito em coincidência (na inexistência dela, para ser mais exata), e isso tem me feito repensar nos fatos que tem acontecido nesses últimos dias, de certa forma isso me assusta, essa palavra só deve ser util para enganar (ou consolar) os bobos, e talvez ela tenha me sido útil varias vezes. Sorte, azar ou simplesmente coincidência, elas me enganaram por inúmeras, eu não sei se isso me torna ainda mais boba, mas passei a descrer em coincidências, porque as coisas não podem ser simplesmente assim por simultaneidade. Não. Elas passam a acontecer de forma "certa" (talvez), coincidência não deve existir, ela foi só mais uma palavrinha criada no dicionário para justificar circunstâncias injustificáveis.
domingo, 21 de junho de 2009
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